quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Porque pobres não podem criar uma cultura de qualidade?

É preciso quebrar o estereótipo do povo pobre. Mesmo as esquerdas que dizem falar a favor dos oprimidos são a favor da imagem ridicularizada do povo pobre, mal vestido, meio grotesco e com uma "cultura" ridícula que mostra uma imagem distorcida das periferias. Esta imagem aumenta mais ainda o preconceito contra os pobres tratados como "gente patética que não sabe conviver com outras pessoas".

A solução para isso seria uma melhor educação do povo pobre para que aprenda a ser elegante (a sua maneira; não confundam isso com imitar burguês) e de certa forma culto. Sim, culto, pois acredito que capacidade de analisar e assimilar conhecimento não é privilégio de classes abastadas. 

Aliás, pelo contrário: ultimamente tenho mais facilidade de encontrar gente inteligente entre pobres, interioranos e nordestinos do que nos ambientes frequentados por gente bem vestida e cheirosa (que estão dando várias amostras de como é ser ignorante, rompendo com o consagrado  estereótipo positivo das elites).

Os pobres são capazes de criar uma cultura de qualidade longe dessa pasmaceira de "funk" que no fundo é uma imitação do que se ouve nas rádios. É preciso um divórcio com a mídia tradicional, algo que não acontece com os funqueiros que, por mais que afirmem contra os meios oficiais de comunicação, é neles que eles encontram a fonte das referências musicais que eles colocam naquilo que criam. Se os intelectuais enxergaram história e cultura alternativa no "funk" é balela. Puro enxerto ideológico. É como ver juba em casca de ovo.

Se informar mais, procurar outros referenciais, criar um interesse por coisas mais melódicas, eliminar o preconceito contra aquilo que parece sofisticado (sim, os funqueiros são preconceituosos: odeiam tudo que lhes parece bem feito, por achar isso coisa de "elite"), analisar o que lhes chaga aos olhos e ouvidos e desenvolver um senso do ridículo.

Mas atenção: nem adianta fundir gêneros sofisticados com o "funk" ou tentar fazer versões de "funk" em outros gêneros e vice-versa. Isso não enriquece a cultura e compartilha a idiotice do "funk" a outros gêneros musicais, que acabam sendo ridicularizados com a associação com o nefasto gênero. O "funk" é como uma zona de conforto: parece agradável mas atrapalha e seu descarte é a melhor decisão para o progresso das classes oprimidas. Ninguém dá ouvidos a gente pateta.

Antigamente, pobres sabiam fazer música de qualidade. O samba tradicional é muito bem feito e belo. Se ouvirmos por exemplo, Paulinho da Viola, Cartole e Candeia, vamos perceber que as periferias já foram capazes de mostrar gênios da música ao mundo. Pobres se quiserem, podem enriquecer a cultura. Mas como o "funk" fazem exatamente o oposto: empobrecem a cultura e transmitem uma imagem imbecilizada de si mesmos.

Acho que deveriam esquecer esta campanha de defesa do "funk", que é claramente humilhante - e ninguém irá mudar isso, pois este defeito é inerente ao "funk" - e criar condições para que o povo pobre possa criar formas de cultura mais belas, inteligentes e elegantes e que transmitam uma imagem mais digna do povo pobre, que corresponda a realidade deste povo que trabalha muito diante muitas dificuldades e preconceito para conquistar o mínimo de respeito e qualidade de vida.

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