domingo, 10 de setembro de 2017

Tempo de mudanças

Hoje é a última postagem deste blogue neste endereço. Estamos de mudanças e para isso vamos dar uma longa pausa para executar o processo de mudança. Será a maior mudança nos blogues associados que aconteceu desde que o Admirável Planeta Laranja surgiu. 

Já perceberam que vamos mudar os nomes de vários deles, que consequentemente vão mudar de endereço, a ser divulgado em data futura, ainda antes do retorno. As mudanças:

- O Admirável Planeta Laranja, de cultura e comportamento, vai mudar para Alto da Laranjeira e continuará sendo o site-âncora dos blogues associados.
- O Ultramodernismo, com as minhas postagens pessoais e minha obra literária, será transformado em Sedentário Diário.
- Garotas Apaixonantes, sobre belas mulheres, se tornará Garotas Admiráveis.
- Eu Adoro Sossego continuará com o mesmo nome, as mudará de endereço.
- Mobilidade Laranja, sobre transportes, continua como está.
- Maldita Tela Verde, sobre esportes, e que critica o fanatismo futebolístico, também continua como está.
- Responsabilidade do Poder continua como está agora, embora tenha sofrido mudança recente, pois antes era o Pizzaria do Poder.
- Ynstituto Poly Rythmo muda para Ynstituto Laranjeira, mas mantém endereço.
- Áudio Análise foi extinto e postagens serão espalhadas por outros blogues, dependendo do assunto.

Há a possibilidade de eu retomar datas fixas para a entrada das postagens. Mas isto é algo que estou estudando. Está confirmada a permanência das 17:30 como horário de entrada das postagens. Isso se mostrou bem conveniente, tanto por causa de meu cotidiano pessoal como também pela audiência dos blogues.

Agradecemos todo o prestígio destes anos e aguardem a nossa volta, que acontecerá no início do ano que vem. Desculpe-me pela pausa que se iniciará agora (todas as postagens antigas ficarão fora do ar por um tempo), mas com a certeza que voltaremos literalmente com tudo.

Obrigado e Fui!

sábado, 9 de setembro de 2017

Clipe raro de "Gloria", do U2

Gloria, a bela canção que lançou o excelente segundo álbum October, de 1981 (melhor ano de minha vida) e que tem refrão referente ao Catolicismo (a banda, pelo menos na época, assumia suia crença), teve clipe oficial e pouca gente sabe disso, pois infelizmente a banda ignorou a fase inicial nas suas coletâneas de vídeo.

Eis aqui o belíssimo vídeo da música, para que vocês percebam como os vídeos musicais eram bem feitos no tempo em que clipe não precisava de (d)efeitos especiais, roupas ridículas e coreografias vulgares feitas por trezentos supérfluos dançarinos, para ser considerado admirável. Curtam. 

Gloria - U2

Música de U2 - Letra de Bono
Álbum: October (Island, 1981)
Tradução extraída do site Vagalume

Eu tento cantar essa canção
Eu, eu tento ficar de pé
Mas não consigo encontrar meus pés
Eu tento, eu tento falar bem alto
Mas apenas com você eu me sinto completo

Gloria
Em seu domínio
Gloria
Exaltação
Gloria
Gloria
Oh Deus, perdi meus lábios

Eu tento cantar essa canção
Eu, eu tento entrar
Mas não consigo encontrar a porta
A porta está aberta
Você esta lá, você me deixou entrar

Gloria
Em seu domínio
Gloria
Exaltação
Oh Deus, se eu tivesse alguma coisa, qualquer coisa
Eu daria a você

Gloria
Em seu domínio
Gloria
Gloria

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Como deve ser um clipe alegre



Gosto pacas desse clipe da banda Australian Crawl, alegre, sem efeitos especiais e com movimentos de câmera e transição de cenas que seguem o ritmo da música. Um autêntico clip dos anos 80, aliás de 1981, o melhor ano de minha vida. Vejam o clipe e me digam se os clipes de hoje não poderiam ser todos assim: gostosos e alegres de se ver?

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

É Brasil, mas pode chamar de Abilene

Vi em um programa sobre estudos da mente que o ser humano tende a imitar a maioria dos integrantes de seu grupo com fins de sociabilização. Não importa o que estejam fazendo, importa é que se a maioria faz, está correto, mesmo que seja a maior gafe. E claro, ninguém vai rir de uma gafe que todos cometem, principalmente se quem poderia rir também comete.

Se os seres humanos tem essa tendência, por serem animais sociais, os brasileiros mais ainda. Brasileiros são educados desde pequenos a seguir a maioria. É o povo mais Maria-vai-com-as-outras que conheço. Esteja certo, esteja errado, melhor sempre é estar com a maioria. A solidão apavora mais do que qualquer coisa e todo risco é válido para se escapar da solidão. 

Eu sempre observei essa tendência do brasileiro imitar a maioria, desde a infância. Mas não tinha um embasamento teórico que pudesse me fazer entender porque isso acontece. Mas, lendo um livro sobre gestão, encontrei algo que explica de forma teórica esse costume tão comum de nossos brasileiros de topar fazer algo inútil, ridículo ou até nocivo em prol da sociabilização: o Paradoxo de Abilene.

Esta tese foi contada pelo estudioso na área de gestão e dinâmica de grupos Jerry Harvey, e conta uma pequena estória acontecida na cidade texana de Abilene, o que justifica o nome do paradoxo.

O conto ocorreu da seguinte maneira:

Uma família recebe a sugestão do pai em fazer uma viagem até Abilene, distante de sua casa, para conhecer um restaurante que a família nunca tinha visitado. A viagem é arriscada, as condições precárias e nem se sabia se o restaurante era bom para justificar o esforço. Mas os integrantes da família, com o objetivo de manter a união familiar, aceitam sem questionar, mesmo sabendo das possibilidades do risco, para que a tranquilidade dessa união grupal pudesse ser mantida. Em caso da viagem fracassar e os problemas se confirmarem, basta achar um bode expiatório para assumir a culpa (no caso, o pai) e tudo fica bem.

Não parece o que acontece no Brasil?: 

- Porque gostamos de músicas ruins, com letras e danças ridículas? 
- Porque uma bebida que tem gosto ruim e é nociva a saúde é a mais popular? 
- Porque nos matamos por causa de meros escudos de times de futebol, comemorando por algo que não vai nos trazer benefício? 
- Porque a religiosidade, que se caracteriza pela crença em fatos e seres sem existência confirmada é cada vez mais alta em nossa sociedade? 
- Porque temos o hábito de fazer tudo que a maioria faz (fazer filho, comprar carros, morar em casas ou apartamentos enormes), mesmo que atrapalhe o nosso cotidiano? 
- Porque se alguém compra "aquele" produto cobiçado, passamos a querer comprar também, mesmo que não tenha qualquer tipo de serventia para nós?
- Porque modismos pegam aqui com tanta facilidade? 

O Paradoxo de Abilene responde a todas essas perguntas acima.

Se pararmos para pensar, as vidas de maior parte dos brasileiros é exatamente igual. Poucas diferenças ocorrem. Daria para fazer um ciclo de vida comum do brasileiro, já que nada muda pois o paradoxo citado faz qualquer brasileiro aceitar as coisas de forma natural, para não quebrar a união social da população.

E a mídia, reguladora das regras sociais, tem um papel enorme na manutenção desse paradoxo, pois embora ninguém goste de assumir - muitas vezes isso está arraigado no subconsciente, agindo de forma imperceptível - a mídia controla de maneira implacável as mentes das pessoas, que passam a achar correto o que é vinculado nela. É o chamado pensamento único, que transforma em leis, costumes que não estão escritos em nossa Constituição Federal, dando a ilusão daquilo que deve ser feito em nosso cotidiano. 

A mídia oficial (jornais, revistas, rádio e sobretudo a televisão) tem há muitas décadas legislado a respeito dos costumes sociais. A regionalidade das regiões brasileiras tem desparecido aos poucos. Mesmo que haja reduzidas diferenças, sabemos que os brasileiros do norte, sul, leste, oeste, no seu todo, agem da mesma forma nos aspectos gerais, graças a intervenção midiática. 

Brasileiros que resolvam criar a coragem para romper com o paradoxo, acabam se isolando, tem maior dificuldade de adquirir benefícios e frenquentemente são objeto de chacota, como punição de não "obedecer as regras da coletividade", que integram o Paradoxo de Abilene.

Por isso que para a maioria, é salutar fazer o que a maioria faz (desculpem o pleonasmo). Um entusiasta de ônibus, fã de rock pesado um dia me disse que ia a rodas de pagode pornográfico, que ele detestava, porque se não fosse, iria ficar sozinho. É esse o pensamento comum de quem segue sem questionar as ordens do sistema. Se pudéssemos fazer uma comparação, o papel do "pai" da família que estava indo a Abilene, poderia muito bem ser da mídia, das regras sociais ou do próprio sistema que vivemos. 

E é por isso que temos que aguentar os erros e problemas que temos em nossa sociedade há mais de 100 anos. A sociedade brasileira, calada e submissa a tudo que vem do alto (líderes, autoridades, celebridades), prefere mesmo ficar "vivendo em Abilene", confiando cegamente em qualquer um que pudesse fazer o papel de tutor e em caso de fracasso, é só procurar um bode expiatório para assumir a culpa e ser punido por um erro cuja real responsabilidade é de todos os envolvidos. 

Assim funciona a nossa sociedade. Não há nada mais tipicamente brasileiro do que desejar fazer uma viagem a Abilene. Mesmo que tudo dê errado.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Tá, futebol simboliza a nossa cultura. Mas ninguém me obriga a gostar de samba!

Muita gente diz que o futebol deve ser respeitado senão como símbolo cívico, pelo menos como símbolo da nossa cultura. Algo que nos faça ser conhecido no exterior como uma marca nossa.

Mas precisa obrigar todo mundo a gostar de futebol para que ele continue sendo uma marca dos brasileiros? Temos muitas outras coisas tipicamente brasileiras que não possuem a mesma - suposta - unanimidade. Conheço muita gente que detesta feijoada e sabe-se muito bem que é a comida que mais nos representa. Símbolo ou não, eu adoro feijoada, uma de minhas comidas favoritas.

Mais curioso ainda é saber que o tipo de música que mais nos caracteriza está mais do que longe de ser unânime. O samba, música que nos faz conhecidos lá fora, está cada vez mais impopular. De sucesso, somente aqueles Frankesteins sonoros que se apresentam como "pagode" (Alexandre Pires, Belo, Molejo, Tchan e os novatos Dilsinho e Ferrugem), mesmo assim sem estrondo.

Conheço um número ainda maior de pessoas que não se sentem obrigadas a gostar de samba para se considerarem brasileiras. Ninguém nunca me obrigou a gostar de samba. Quando eu digo que não curto a maior parte de sambas (há os que gosto, mas são poucos e bem antiquados), ninguém se chateia. Mas quando eu digo que passo longe do futebol, aí a polêmica se instala.

Porque sou obrigado a gostar de futebol se não sou obrigado a gostar de samba, de caipirinha, de papagaio? Adoro feijoada porque agrada a meu paladar e mesmo assim ninguém me obriga a gostar de feijoada. Se eu não gostasse, não haveria problema. Porque com futebol há este problema?

Futebol pode ter a importância cultural para o raio que te carregue! Eu não sou obrigado a gostar de futebol seja qual for a nação que ele representa! Se não sou obrigado a gostar de samba, feijoada e caipirinha, também não sou obrigado a gostar de futebol!

Para quem gosta de futebol, desejo que tenha um bom proveito. Mas não me venha com este papo de que tenho que gostar de futebol. As coisas lá nos gramados estão bem longe de dar algum tipo de alegria a minha vida.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Fama de brasileiros como seres excessivamente sociais começa a ser conhecida no exterior

Um comentário da criadora do aplicativo para celulares Lulu e outro de um cara que morou no Brasil já mostraram que a mania que o brasileiro tem de priorizar a vida social (mesmo que não se tenha afeto por outras pessoas) já está ficando conhecida lá fora.

Como eu disse, isso nada tem de afetivo ou altruístico. Brasileiros priorizam a vida social mais para "se atirar na plateia". A finalidade mesmo é se sentir incluído na sociedade para poder usufruir os benefícios que só se pode ganhar através do contato com outras pessoas.

Todos sabem que muitos benefícios são obtidos através da sociabilização. Seja através de concessão de benefícios (uma pessoa que oferece emprego para outra, por exemplo), seja através de prestígio social (quem tem prestígio obtém mais respeito e tem poder de dar credibilidade, mesmo falsa, as suas opiniões), a vida em coletividade proporciona privilégios que nunca se pode obter sozinho. Aliás somente vivendo no extremo tipo isolado na selva que se pode "se dar bem" sozinho. Se é o que se pode chamar de "se dar bem".

Por isso que os brasileiros, povo altamente problemático e com preguiça de raciocinar, priorizam a vida social:para vencer com mais facilidade. Isso inclui até a abstenção do prazer individual, muitas vezes substituído pelo prazer coletivo. Isso explica porque temos as mesmas opiniões, porque gostamos das mesmas coisas, porque não conseguimos nos divertir sozinhos e porque a cultura alternativa e mudanças radicais sempre fracassam no Brasil.

Aqui prevalece o que se chama de (in)consciente coletivo. Digo "in" porque as pessoas nem se dão conta que descartaram a individualidade em prol da sobrevivência. Isso acontece automaticamente, muitas vezes sem a pessoa perceber. Uma ideia absorvida coletivamente, pode ser tornar uma ideia individual quando estabilizada dentro da mene de uma pessoa. A Psicologia tem meios de explicar como isso acontece.

Um exemplo: tente questionar uma pessoa que curte futebol. Ele vai dizer "é MEU direito de gostar". Quando na verdade ele não tem direito de coisa nenhuma, e sim a obrigação de seguir a maioria em troca de sua própria sobrevivência. Mas o gosto sugerido pela regra social se solidifica na mente do individuo que passa a acreditar que o gosto surgiu na mente dele, quando na verdade nasceu de circunstâncias externas.

Ele não vai ficar tentando justificar isso, até porque vai revelar a sua não-espontaneidade, o que poderia pegar mal para a sociedade. Mas ele tem a absoluta consciência de que vivendo em uma sociedade que considera o gosto pelo futebol uma regra de etiqueta, ele vai encontrar dificuldades se recusar algo que é considerado, mesmo de maneira enrustida, como uma obrigação irrecusável. Isso foi só um exemplo, pois vemos nisso em quase tudo no Brasil, seja no esporte, na cultura, na política, na religião e até em coisas pequenas do cotidiano.

Outro fenômeno interessante é que mesmo pessoas que resolvam driblar as regras sociais em um aspecto, as mantem em outro. Um cara que não curte futebol, mas adora música ruim. Um ateu de direita. Um cara com projetos ousados de educação que apoia projetos retrógrados de mobilidade urbana. Um mesmo indivíduo conservador em um aspecto pode ser rebelde em outro e vice-versa.

São exemplos fictícios, mas vejo muitos casos bem parecidos. Aliás, somente eu que me proponho a romper com tudo que é retrógrado, enquanto 99% da população se encontra entre os que só obedecem o sistema, apoiando coisa, fatos e valores que estão estabelecidos ou aqueles que mesmo rompendo com alguns aspectos, elege seu "retrocesso de estimação". Vale tudo pelo social.

Essa necessidade desesperada pela sociabilização faz com que nosso povo seja praticamente homogêneo. Ideias originais costumam fracassar por falta de apoio de uma sociedade que só quer seguir a maioria. Até porque para o brasileiro, pouco afeito a seguir a lógica e o bom senso, apenas três motivos são observados para que ideia possa ter valor, e seguindo esta ordem:
- Quando é seguida pela maioria das pessoas ("todos seguem, é porque é bom");
- Quando é lançada por uma liderança ou pessoa de alto prestígio; ("foi fulano que disse, então está certo")
- Quando a validade ou a aceitação de uma ideia dura por muito tempo ("está aí há tempos e ninguém reclamou").

Quando uma ideia não atende estes aspectos, fica quase impossível convencer a maioria das pessoa de sua validade. Por isso mesmo que as pessoas acham mais seguro ter os mesmos gostos, convicções e hábitos. Se por um lado, evita-se polêmicas e angaria respeito social que garante benefícios essenciais, por outro mantém a sociedade estagnada agregando a insolubilidade a problemas que se tornam crônicos e cada vez difíceis de resolver.

Assim, o Brasil, esta nação onde quase todos se unem em torno de um só pensamento, segue sem qualquer mudança social significativa, arrastando problemas e alimentando ilusões, simplesmente porque uma grande maioria se recusam a ter decisão própria preferindo trocar a sua valiosa individualidade pela obediência cega a regras que se por um lado oferece benefícios momentâneos, eliminam de vez a oportunidade de crescimento pessoal, sobretudo intelectual. 

Essa mania de pensarmos como um só aos poucos se consagra com hábito tipicamente brasileiro, até porque estrangeiros já observam que colônias brasileiras no exterior são praticamente iguais, sem tirar nem por, fazendo com que o brasileiro, tentando ser igual aos seus compatriotas, se tornam impermeáveis a ideias mais evoluídas que fazem parte de sociedades melhor escolarizadas que a nossa. E aos poucos, habitantes de outros países já percebem a nossa vocação para "Maria vai com as outras" que insistimos em ter e demonstrar.

Pensando como um só, os brasileiros acabam se tornando ninguém.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A onda de ódio anti-humano

Uma onda de ódio ou desprezo humano está contaminando o caráter das pessoas, sobretudo no Brasil. A desconfiança resultante da decepção com as pessoas tem dado origem a esse fenômeno que faz com que muita gente desvie o afeto que deveria ser humano para valores, seitas, hobbies, animais e até vícios. Ama-se tudo, menos pessoas.

O afeto que poderia endereçado aos amigos, parentes, conhecidos ou a qualquer transeunte que cruze nosso caminho é facilmente deslocado para coisas de menor importância que nem mereciam ser objeto de afeto. Isso é grave pois cria um fanatismo que faz com que pessoas lancem mão da agressividade para defender os seus novos objetos de afeto.

Como disse um grande amigo meu que terei a felicidade de reencontrar daqui a algum tempo: "As pessoas existem para serem amadas e as coisas usadas. Mas amam-se as coisas e usam-se as pessoas". Um triste verdade que ganhou força nos últimos anos.

Ama-se animais de estimação, times de futebol, patrimônios materiais, hobbies e pontos de vista. Amam-se valores, mesmo duvidosos e luta-se para mantê-los. Enfia-se nas cabeças a ideia absurda que outras pessoas existem para atrapalhar, fazendo com que inimizades nasçam pela defesa de interesses muitas vezes supérfluos que para os que as defendem se torna razão de vida.

Temos que combater esta onda evitando ao máximo alimentar o ódio de quem sente. Deixar os odiosos falando sozinho é uma excelente atitude pois geralmente os odiosos sempre esperam uma reação agressiva de seus alvos, graças a sua tara por brigas e polêmicas.

Triste saber que em pleno Século XXI, que deveria ser o século do impulso para a evolução humana, estejamos cada vez piores, cometendo erros que os trogloditas da pré história não cometeriam.

domingo, 3 de setembro de 2017

Walter Becker, do Steely Dan, falece aos 67 anos

Recebi hoje uma triste notícia. Walter Becker, que junto com Donald Fagen fundou a banda de jazz-rock Steely Dan, uma de minhas favoritas, faleceu esta manhã, aos 67 anos, de causa ainda não informada. Rumores indicam que ele estava com sérios problemas de saúde.

Apesar de não ser muito popular, até por fazer jazz-rock, um estilo considerado "complexo" para quem está acostumado com o pop rasteiro que arrasta multidões às custas de uma sonordade medíocre e excesso de visual, a Steely Dan era uma das bandas mais importantes do início dos anos 70 e tinha um estilo único, um jeito peculiar de fazer jazz rock.

Mesmo assim, conquistou respeito no meio musical e trouxe grande clássicos como Do It Again, Deacon Blues, Rikki Don't Loose That Number, Haitian Divorce, Hey Nineteen, Aja e muitas outras grandes canções compostas pelo pianista e vocalista Fagen com a parceria do já saudoso guitarrista Becker.

Fagen aliás, escreveu uma bela nota falando sobre seu parceiro musical:

"Walter Becker era meu amigo, meu parceiro de redação e meu colega de banda desde que nos conhecemos como estudantes do Bard College em 1967.

Começamos a escrever pequenas melodias de noz em um piano ereto em uma pequena sala de estar no lobby de Ward Manor, uma mansão velha e mouldering no rio Hudson que a faculdade usava como dormitório.

Nós gostamos de muitas das mesmas coisas: o jazz (dos anos vinte a meio dos anos sessenta), WC Fields, os filmes de Marx, ficção científica, Nabokov, Kurt Vonnegut, Thomas Berger e Robert Altman vêm à mente.

Também música soul e blues de Chicago.

Walter teve uma infância muito áspera - vou lhe poupar os detalhes. Felizmente, ele era inteligente como um chicote, um excelente guitarrista e um excelente compositor.

Ele era cínico sobre a natureza humana, incluindo o seu próprio, e histericamente engraçado.

Como muitos filhos de famílias fracturadas, ele tinha a habilidade de mimetismo criativo, lendo a psicologia escondida das pessoas e transformando o que ele via em arte incandescente e borbulhante.

Ele costumava escrever cartas (nunca quis ser enviado) na voz singular de minha esposa, Libby, que nos fez cair com as risadas.

Seus hábitos obtiveram o melhor dele até o final dos anos setenta, e perdemos contato por um tempo.

Na década de oitenta, quando eu estava juntando o NY Rock and Soul Review com a Libby, nos ligamos novamente, revivei o conceito de Steely Dan e desenvolvi outra banda fantástica.

Eu pretendo manter a música que criamos juntos viva o máximo que puder com a banda Steely Dan."

Triste época em que perdemos grandes mestres e ficamos pasmos diante de uma nova geração de músicos que não quer fazer música e sim usá-la para ganhar dinheiro e soltar os instintos.

Mesmo que Fagen continue com a sua excelente carreira solo (cuja sonoridade era fiel a sua banda, como na belíssima International Geografic Year, de 1982), Becker fará falta, pois era um dos autores das musicas e sua guitarra tinha uma sonoridade deliciosa que sempre agradou a fãs da banda, como eu, como se pode observar no solo da famosíssima Do It Again, que apresentou a banda ao mundo.

sábado, 2 de setembro de 2017

Respostas as perguntas sobre música que muitas pessoas costumam errar.

Aqui estão as respostas certas e os comentários da enquete criada ontem, para testar o conhecimento musical. Como era de se esperar, todo mundo errou alguma questão. Não houve quem acertasse tudo.

1 - O que pode definir a música de qualidade?
b) A importância cultural e a postura do compositor ou intérprete.
Comentário: A cultura é um bem coletivo e ela tem que servir a coletividade, como uma forma de comunicação e de instrumento para o desenvolvimento intelectual da sociedade. Infelizmente é confundida como forma de diversão, que algo subjetivo e pessoal, do contrário da cultura. Embora, dependendo da diversão, possa se tirar lições importantes, algo que quase não se observa na cultura atual.

2 - O que é rock?
e) Música caracterizada por batida mais rápida, com ênfase na guitarra e nas letras de contestação.
Comentário: Rock é acima de tudo um tipo de música. Essa bobagem que dizem que "rock é atitude" foi criada só para confundir ainda mais, fazendo com que todos pensem que a associação ao citado rótulo sirva para que ídolos juvenis possam se sentir mais valorizados, mesmo não tendo nada a ver com o gênero. Aliás, ser ou não ser considerado roqueiro não melhora nem piora ninguém. Até porque há quem faça rock de má qualidade, o que prova que a associação com o gênero não é garantia de prestígio.

3 - Qual era a intenção de Ritchie o compor Menina Veneno?
d) Traduzir para a cultura brasileira o tecnopop britânico característico da época.
Comentário: Este fato é muito citado nas entrevistas do cantor/compositor, que alega ter sido traído pela gravadora, que não entendeu a sua proposta e jogou a música para  ser executada na mídia popularesca. As características da música são sofisticadas e em total acordo com o tecnopop mais evoluído da época.

4 - Qual o gênero musical da cantora Madonna?
b) Dance Music.
Comentário: Uma audição atenta de suas músicas, a percepção do fato da cantora priorizar a presença de dançarinos em seus shows, além da enxurrada de versões para pistas de dança, justificam a resposta certa.

5 - Qual a maior influência musical da Axé Music?
c) Rumba e Salsa.
Comentário: É evidente a influência da música da América Central na axé music, apelidada por mim de "rumba mal tocada". A influência da música africana quase não existe e até mesmo os mais famosos intérpretes da música africana são completamente desconhecidos para a maioria esmagadora dos baianos.

6 - Assinale o nome do pioneiro do sambrega, a vertente cafona do samba.
d) Benito di Paula.
Comentário: Benito foi integrante de um movimento chamado "Sambão Jóia", caracterizado por uma pasteurização do samba-rock, com arranjos frouxos, letras ridículas e visual bem cafona. No início tinha o mesmo público alvo que a música brega da época. Muitos iriam marcar Agepê, pois virou moda falar mal do falecido sambista. Mas Agepê, estigmatizado por músicas de samba-canção (a versão lenta e romântica do samba), era um sambista de verdade, criado nos meios das Escolas de Samba e parceiro de muitos compositores integrantes da fase áurea do carnaval carioca.

7 - Qual destes intérpretes escolheu o seu nome influenciado pelo desenho da turma do Charlie Brown?
d) Barão Vermelho.
Comentário: Frejat confirmou em várias entrevistas, que a banda se inspirou num personagem dos sonhos do Snoopy, que imaginava ser o Barão, voando em bordo de seu avião de cor vermelha. Esta informação também consta em biografias sobre a banda. Já a banda santista Charlie Brown Jr., do contrário que muitos pensam, não se inspirou no desenho e sim no nome de um bar na cidade natal da banda. Pode ser que o bar tenha se influenciado no famoso desenho de Charlie Shultz, mas não a banda liderada por Alexandre Chorão.

8 - O que é uma gravadora independente?
d) Gravadora que privilegia a espontaneidade na música, sem se preocupar com os lucros.
Comentário: Uma gravadora independente, como o nome diz, não depende de estrutura midiática e muito menos de suas regras. A independência é garantida pelo compromisso com a arte e com a espontaneidade dos artistas. E não é sinônimo de gravadora pequena, pois muitas gravadoras pequenas atualmente tem mentalidade - e interesses mesquinhos - de grandes gravadoras. Além disso, duas das maiores gravadoras independentes da música mundial, as inglesas Factory, Mute e Rough Trade, tinham estrutura de grandes gravadoras, com filiais em outros países da Europa.

9 - Morrissey, ex-líder dos Smiths, ficou marcado por belíssimas e conscientizadas letras que falam sobre carência afetiva e dificuldades de socialização, temas evitados pela maioria dos compositores. Em entrevistas afirmava que eram baseadas em fatos de sua vida pessoal. Que tipo de fatos?
c) Decepção com as mulheres, durante a adolescência.
Comentário: Morrissey é assexuado (não sente atração por ninguém) e homofóbico. O papo de que ele seria gay é apenas um mito, criado no Brasil, baseado na não-compreensão das decepções sofridas pelo mesmo durante a adolescência, onde era frequentemente desprezado ou ridicularizado (bullying) pelas mulheres, por ser mais inteligente que os rapazes de sua geração. Essa experiência, que transformada em trauma, resultou na sua assexualidade, aparece na maior parte de suas músicas, além das letras de contestação política.

10 - Qual desses nomes não tem qualquer relação com o rock?
c) Michael Jackson.
Comentário: Michael Jackson nunca foi roqueiro. A confusão se deu pela grande difusão dada ao rótulo e, na falta de um nome de imensa popularidade ligada ao tal rótulo, o cantor americano foi o bode expiatório, para servir de "exemplo" para um rótulo que nada tinha a ver com a música que ele cantava. Além disso, gravou pouquíssimas músicas relacionadas ao rock, pois o verdadeiro gênero do qual fazia parte era funk, quando esta rótulo não era relacionado às bobagens patrocinadas por traficantes cariocas. Muita gente marcaria Waldir Serrão, por achar que não é um nome típico de roqueiro. Mas Waldir era de fato um roqueiro baiano, também conhecido como Big Ben, cantor e apresentador de TV que era parceiro de Raul Seixas no início de carreira deste. O programa de TV comandado por Serrão foi um grande meio para divulgar Seixas, aquele que seria um dos maiores roqueiros do Brasil.

11 - A disco music foi importante para a cultura mundial?
a) Não. Apesar dos arranjos caprichados, surgiu apenas como forma de diversão.
Comentário: Era a dance music da época, música feita para dançar e só. Os arranjos eram bem feitos porque surgiu numa época em que até a canção de consumo era bem feita. Mas sua importância cultural é nula, por ser algo feito para ser curtido apenas em festas e bailes.

12 - Frank Sinatra pode ser considerado um nome do jazz?
b) Não. Apesar de envolvido com jazzistas, o seu gênero musical era o standard.
Comentário: O gênero musical de Sinatra é o Standard, gênero influenciado pelo jazz, muito comum nas trilhas sonoras de filmes hollywoodianos das décadas de 40 e 50. O próprio Sinatra não se considerava jazzista e assumia o rótulo de Standard.

13 - Orquestras como a de Ray Conniff, Paul Mauriat e músicos como Richard Clayderman e Kenny G podem ser considerados nomes da música erudita?
c) Não. O que eles fazem é easy listening, música de fácil assimilação.
Comentário: Orquestras desse tipo não são consideradas eruditas e são inclusive muito mal vistas no meio da música erudita, extremamente exigente com a qualidade musical. Diz a lenda que orquestras desse tipo são formadas por músicos medíocres reprovados em testes para as orquestras tradicionais. De fato a mediocrização é notável em orquestras desse tipo, que na verdade só servem mesmo para animar bailes de quem foi jovem no final dos anos 50, auge desse tipo de orquestra. O tipo de música destas orquestras pejorativamente conhecido como "música de consultório", por tocarem muito em hospitais. Regravações de músicas populares são muito comuns em orquestras desse tipo.

14 - Qual a melhor fase da música de todos os tempos?
b) A segunda metade dos anos 60.
Comentário: Não somente a melhor fase da música como a melhor fase da humanidade. Já imaginaram uma época onde ser intelectualizado, ler livros, correr atrás de informações corretas e provar coerência durante as conversas era considerado moda? Exatamente o oposto dos dias atuais, onde ser ignorante e ridículo abre as portas para o sucesso social e em muitos casos, profissional.

15 - O festival Live Aid, criado pelo músico irlandês Bob Geldof, líder da obscura banda oitentista Boomtown Rats, inspirou a criação do Dia do Rock. O Live Aid era um festival de rock?
d) Não. Era um festival de vários tipos de música.
Comentário: É um erro atribuir o Dia do Rock, comemorado apenas no Brasil, a um festival em que artistas de inúmeros gêneros musicais tiveram a oportunidade de participar. É como se o Dia do Samba tivesse surgido por causa dos Festivais da TV Record, ocorridos nos anos 60. O Live Aid, de fato, era um festival com inúmeros gêneros musicais, para vários tipos de gosto.

16 - Muita gente considera o Guns 'n' Roses uma banda de classic rock. Isto procede?
d) Não. Além de ter surgida só nos anos 80, suas características são de uma banda típica de poser metal.
Comentário: A banda liderada por Axl Rose surgiu nos anos 80 e fez parte daquele movimento conhecido como glam metal, pejorativamente apelidado de poser metal, devido ao excesso visual e da atitude de extrema rebeldia sem causa, que estimulava seus integrantes a ter uma vida particular desregrada e sempre envolvida em escândalos, muitos por causa do consumo de drogas. Além disso, a música do G'n'R não possuí a qualidade musical comum as bandas de rock clássico como a Led Zeppelin, que, mesmo também envolvidos com drogas, pelo menos mostravam excelente musicalidade em suas criações, até por terem formação erudita (!!!) em conservatórios musicais.

17 - Apenas um destes cinco nomes representa a música de qualidade nos anos 80. Qual?
c) Nik Kershaw.
Comentário:  Todos os outros nomes eram desprovidos da fidelidade artística, de capacidade criativa, espontânea e de honestidade deste cantor e compositor inglês que, apesar da bela musicalidade e das letras inteligentes, foi completamente  subestimado e é desconhecido da maior parte da população mundial.

18 - A presença de dançarinos em concertos musicais é indispensável?
e) Não, por ser meramente visual. Servem para compensar a futilidade das canções de consumo.
Comentário: Dançarino não faz música. Dançarino só dança. Pra que encher o palco de dançarinos se a sonoridade da música não vem deles? Puro recurso para cantores ruins prenderem a atenção de seu publico.

19 - Transformar a música em emprego e fonte de renda estragou a qualidade musical?
a) Sim, pois dificulta a espontaneidade e favorece o surgimento de "artistas" ruins a procura de emprego.
Comentário: Muitos dos cantores consagrados pela mídia não estariam envolvidos com música se não fosse meio de gerar renda. Ou vocês acham que uma garotinha medíocre como Britney Spears e tantas utras que vieram em seu rastro, seriam cantoras só pela "vontade de cantar", tendo outro emprego como fonte de renda simultaneamente?

20 - O que faz com que os ritmos popularescos (axé, pagode, "funk", "sertanejo" e brega) sejam considerados como tipos de música de má qualidade?
c) A futilidade e a má qualidade das músicas em si, criadas por gente sem vocação para a música.
Comentário: De uma vez por todas, lembrem-se: a ruindade da música está na música em si e na falta de competência do "artistas" que a cria ou grava. Não adianta mudar visual, fazer pose de intelectual em entrevistas ou virar amigo de artistas de verdade. Quem é ruim é ruim mesmo e deveria largar a música e fazer outra coisa. Música boa exige vocação e quem não tem vocação só cria algo que nunca presta.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Perguntas sobre música que a maioria das pessoas costuma errar

A maioria das pessoas, principalmente no Brasil, nunca teve uma educação musical. Com a degradação cultural que acontece hoje em dia, as coisas só pioraram.

Para agravar, como se trata de mero lazer, as pessoas não se preocupam muito em ter conhecimento sobre música, já que preferem seguir o que a mídia e os costumes sociais consagram a respeito, o que favorece muitos equívocos.

Baseado nesses equívocos, resolvi organizar uma espécie de provinha com algumas perguntas que a maioria das pessoas costuma errar sobre o assunto. Na edição de amanhã eu digo quais as respostas estão corretas e faço os comentários sobre as alternativas. Vamos lá. Teste se conhecimento musical!

1 - O que pode definir a música de qualidade?
a) O gosto musical e a popularidade.
b) A importância cultural e a postura do compositor ou intérprete.
c) As roupas do intérprete e de seus fãs.
d) A classe social do intérprete.
e) A graduação escolar do intérprete.

2 - O que é rock?
a) Música que fala sobre pedra.
b) Sinônimo de música dançante (dance music).
c) Qualquer música de origem inglesa curtida por jovens.
d) Música cantada por rebeldes que só aprontam escândalo.
e) Música caracterizada por batida mais rápida, com ênfase na guitarra e nas letras de contestação.

3 - Qual era a intenção de Ritchie ao compor Menina Veneno?
a) Homenagear o Butantã.
b) Compor o tema de O Beijo da Mulher Aranha.
c) Homenagear as empregadas domésticas.
d) Traduzir para a cultura brasileira o tecnopop britânico característico da época..
e) Falar sobre uma namorada que o abandonou.

4 - Qual o gênero musical da cantora Madonna?
a) Rock.
b) Dance Music.
c) Música Sacra.
d) Música Erótica.
e) Jazz.

5 - Qual a maior influência musical da Axé Music?
a) Canto de Ossanha.
b) Frevo.
c) Rumba e Salsa.
d) Música Africana.
e) Rock brasileiro dos anos 80.

6 - Assinale o nome do pioneiro do sambrega, a vertente cafona do samba.
a) Dicró.
b) Donga.
c) Zeca Pagodinho.
d) Benito di Paula.
e) Agepê.

7 - Qual destes intérpretes escolheu o seu nome influenciado pelo desenho da turma do Charlie Brown?
a) Benito di Paula.
b) Restart.
c) Carlinhos Brown.
d) Barão Vermelho.
e) Charlie Brown Jr.

8 - O que é uma gravadora independente?
a) Qualquer gravadora de pequeno porte.
b) Gravadora ligada a alguma rede de televisão.
c) Gravadora que só grava música esquisita.
d) Gravadora que privilegia a espontaneidade na música, sem se preocupar com os lucros.
e) Gravadora que só contrata "cantor de chuveiro".

9 - Morrissey, ex-líder dos Smiths, ficou marcado por belíssimas e conscientizadas letras que falam sobre carência afetiva e dificuldades de socialização, temas evitados pela maioria dos compositores. Em entrevistas afirmava que eram baseadas em fatos de sua vida pessoal. Que tipo de fatos?
a) Homossexualismo, pois macho que é macho sempre consegue conquistar a mulher desejada.
b) Morrissey é autista e depressivo e vive se isolando das outras pessoas.
c) Decepção com as mulheres, durante a adolescência.
d) Isso é papo para vender disco, pois ele nada sofreu na vida.
e) Rebeldia sem causa, para tirar sarro da sociedade.

10 - Qual desses nomes não tem qualquer relação com o rock?
a) Jimi Hendrix.
b) Led Zeppelin.
c) Michael Jackson.
d) Waldir Serrão.
e) Los Hermanos.

11 - A disco music foi importante para a cultura mundial?
a) Não. Apesar dos arranjos caprichados, surgiu apenas como forma de diversão.
b) Sim. É a versão erudita da dance music.
c) Sim. Pois fez a trilha sonora dos namoros de quem tem mais de 30 atualmente.
d) Sim. Inspirou a criatividade nas coreografias.
e) Sim. Pois os melhores seriados de TV tinham músicas disco como tema de abertura.

12 - Frank Sinatra pode ser considerado um nome do jazz?
a) Claro. Pois ele era acompanhado por músicos tarimbados do gênero.
b) Não. Apesar de envolvido com jazzistas, o seu gênero musical era o standard.
c) Não. O que ele cantava era música romântica.
d) Coisa nenhuma. O cara era brega de doer!
e) Ele era o Roberto Carlos americano.

13 - Orquestras como a de Ray Conniff, Paul Mauriat e músicos como Richard Clayderman e Kenny G podem ser considerados nomes da música erudita?
a) Podem, pois só tocavam para pessoas de alto poder aquisitivo.
b) Podem, pois o som era de "alto nível".
c) Não. O que eles fazem é easy listening, música de fácil assimilação.
d) Eles fazem trilha sonora de filmes.
e) São na verdade orquestras de churrascaria.

14 - Qual a melhor fase da música de todos os tempos?
a) A época atual, pois a música sempre evolui e nunca regride.
b) A segunda metade dos anos 60.
c) A segunda metade da década de 80.
d) O dia em que minha mulher aceitou meu pedido de casamento.
e) A idade da pedra, pois só tinha o ritmo básico, sem frescuras.

15 - O festival Live Aid, criado pelo músico irlandês Bob Geldof, líder da obscura banda oitentista Boomtown Rats, inspirou a criação do Dia do Rock. O Live Aid era um festival de rock?
a) Era e tinha rock para todos os gostos.
b) Era, mas a maioria era de nomes do rock "pauleira".
c) Não. Era um festival de artes plásticas e mímica.
d) Não. Era um festival de vários tipos de música.
e) Era um festival de rock porque ocorreu num palco armado numa pedreira.

16 - Muita gente considera o Guns 'n' Roses uma banda de classic rock. Isto procede?
a) Procede, pois os músicos "mandam bem"e fazem a plateia gritar e pular.
b) Procede, pois a banda surgiu no início dos anos 70 e influenciou o AC/DC.
c) Procede, pois a banda representa tudo que um bom rock deve ter.
d) Não. Além de ter surgida só nos anos 80, suas características são de uma banda típica de poser metal.
e) Procede, porque os integrantes aprontam confusão, usam drogas e estupram mulheres.

17 - Apenas um destes cinco nomes representa a música de qualidade nos anos 80. Qual?
a) Whitney Houston.
b) Cyndi Lauper.
c) Nik Kershaw.
d) Michael Bolton.
e) Menudo.

18 - A presença de dançarinos em concertos musicais é indispensável?
a) Sim, porque inspira ainda mais os músicos e cantores.
b) Sim, porque ensinam a plateia a dançar.
c) Sim, porque deixam as músicas ainda mais bonitas.
d) Sim, porque temos que dar emprego a essa gente.
e) Não, por ser meramente visual. Servem para compensar a futilidade das canções de consumo.

19 - Transformar a música em emprego e fonte de renda estragou a qualidade musical?
a) Sim, pois dificulta a espontaneidade e favorece o surgimento de "artistas" ruins a procura de emprego.
b) Não, pelo contrário, já que a música comercial é melhor que a alternativa.
c) Sim, pois artistas pobres criam músicas de melhor qualidade.
d) Não, já que o "artista" fica melhor quando se torna mercenário.
e) Não, pois o investimento maciço torna a música melhor.

20 - O que faz com que os ritmos popularescos (axé, pagode, "funk", "sertanejo" e brega) sejam considerados como tipos de música de má qualidade?
a) O fato de serem curtidos por pobres.
b) O fato de falarem sobre sexo e violência.
c) A futilidade e a má qualidade das músicas em si, criadas por gente sem vocação para a música.
d) A má qualidade só é percebida por gente preconceituosa.
e) O fato de serem feitas num país problemático como o Brasil.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Redes Sociais prejudicam personalidade de jovens

Recentemente foi feita uma pesquisa analisando jovens que utilizam redes sociais e chegaram a conclusão que as redes prejudicam a formação de caráter do jovem, que tem dificuldade de interagir com outras pessoas de forma presencial. Isso é uma triste verdade e só comprova o fato de que as redes sociais desviam não somente os jovens, mas usuários mais frequentes do mundo real.

As redes sociais originalmente foram criadas com dois objetivos: facilitar o conhecimento de novos amigos e parceiros de interesses em comum e manter o contato de pessoas que não podem se ver pessoalmente. Mas acabou se tornando o principal meio de contato e já substitui o contato presencial.

Segundo o artigo que falou sobre a pesquisa, os jovens já estão tendo dificuldades não somente de interagir com outras pessoas, as de entender que na vida real não existe certas facilidades que existem nas redes, como clicar em um botão para obter o que se deseja. 

Se observarmos bem, este é apenas um dos danos. No geral, está se desenvolvendo uma nova forma de autismo. Eu poderia chamar de autismo tecnológico: um autismo resultante do vício em tecnologia e da construção da realidade com base no que acontece nos instrumentos tecnológicos.

Os novos autistas não somente são incapazes de compreender o mundo real como também constroem suas convicções com base do que veem nos meios que utilizam e não nos fatos que acontecem ao seu redor. Esta noção distorcida da realidade é certamente a base da onda de ódio em que vivemos, pois muitas das justificativas para este ódio vem do que as pessoas recebem ou enviam nas redes sociais.

Isso é catastrófico e acabou por estimular a retomada da ganância e do egoismo, pois as pessoas, sentadas sozinhas diante de uma máquina e podendo fazer o que querem com alguns botões, constroem um novo tipo de tirania que acaba com os interesses alheios quando os autistas tecnológicos entra no mundo real, alheio ao mundo interno construído com suas convicções subjetivas.

Mas muitos possíveis danos resultam deste aprisionamento no mundo virtual. Não vejo de forma otimista este vicio por tecnologia, sobretudo pelas redes sociais. Está mais do que na hora das pessoas reverem a verdadeira utilização das redes sociais e se lembrarem que o contato presencial e o calor humano são coisas que nenhuma tecnologia tem condições de substituir.

Ainda vamos sentir falta de um velho "bom dia" dado pela janela de uma casa.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O futebol arruinou as minhas noites de sono

O brasileiro é fanático por futebol. Tão fanático que trata o gosto por esta modalidade uma obrigação social e chega a confundi-lo com dever cívico e às vezes com o próprio país.

Este fanatismo acabou transformando o futebol em prioridade máxima e quem gosta não é capaz de trocar o futebol por qualquer coisa ou pessoa para direcionar o seu afeto.

E esse fanatismo acaba por eliminar certas noções de limites, pois amando mais times de futebol do que seres humanos, isso faz com que desapareçam de seus corações e mentes a noção de altruísmo, fazendo com que o bem estar alheio se transformem em supérfluo. "Os incomodados que se mudem" é o que dizem.

Algum irracional, ou dentro de governos ou dentro de grandes empresas, permitiu que ocorresse jogos de futebol nas noites de dias uteis, sobretudo nas quartas feitas (logo no meio da semana?). O problema não é acontecer esses jogos, mas o fato de que os brasileiros não consegue assistir a uma partida de futebol sem gritar. Ninguém assume, mas esse é o verdadeiro prazer do futebol, de canalizar a raiva, de "soltar os demônios". Só isso serve para justificar o fato de um esporte tão sem graça ser excessivamente popular.

Tudo bem se a gritaria acontecesse nas tardes de sábado ou domingo. Mas nas noites e quarta? E quem tem que trabalhar ou estudar no dia seguinte, amanhecendo cedo para não perder o compromisso? Para os torcedores berrões, isso não importa, já que após agirem durante quase duas horas como rinocerontes no cio, se recolhem para dormir feito carneirinhos bem alimentados.

No Rio de Janeiro, onde o fanatismo é maior - em Salvador não tinha esse problema - tive que mudar minha rotina de sono. Hoje não durmo antes de 00:15.  E não é somente nas noites de quarta, pois a falta de sono adequado neste dia, influenciou na minha dificuldade de dormir no resto da semana. Ou seja, por causa de um lazerzinho besta dos outros (que não melhora a vida de ninguém, portando é SUPÉRFLUO!), não consigo mais dormir cedo. Seja em qual noite for.

Será que as autoridades não tem a consciência disso e não resolvem proibir jogos noturnos em vésperas de dias úteis? Poxa, muitas vezes quero dormir e só a expectativa pela possibilidade do surgimento de um grito estrondoso já serve para impedir que eu entre no mundo dos sonhos.

Isso é uma questão de saúde, pois sono mal dormido estraga a mente. Se os caras querem se divertir, arrumem outra hora ou simplesmente desistam. Por ser supérfluo, ninguém morre se largar o futebol.

Respeitem pelo menos quem quer dormir para trabalhar no dia seguinte. Alegria não é sinônimo de grito. muitas vezes a verdadeira felicidade chega sem qualquer tipo de som.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A solidão de quem pensa diferente da maioria

Estava conversando com um amigo meu que mora longe e  me fez um desabafo. Ele, que como eu também pensa diferente da maioria das pessoas e não concorda com o mundo do jeito em que está, reclamou que passa a maior parte da vida sozinho. Quando vai se divertir, tem que se virar para procurar uma forma de lazer em que possa fazer sem qualquer companhia.

É realmente difícil para quem pensa diferente fazer amizades. É cultural da sociedade brasileira usar o tempo livre não para procurar prazer e sim para se sociabilizar. Para isso, a maioria das pessoas resolve seguir exatamente os gostos, ideias, hábitos e convicções que são seguidos pela maioria. isto explica porque no Brasil a maioria das pessoas tem exatamente os mesmos gostos e defendem as mesmas opiniões e crenças. Pensar igual ao outro favorece sociabilização.

E por tais ideias, gostos e hábitos serem feitos pela maioria, tem-se a ilusão de naturalidade, como se isso fizesse parte de um ser humano biologicamente sadio. Isso faz com que todos pensem que aqueles que não agem como a maioria sejam loucos ou pervertidos. Como se , agindo diferentemente da maioria, estivesse "desobedecendo" a biologia "natural" que faz cm que todos ajam de maneira igual, seguindo um padrão.

E os preconceitos começam a aparecer para os que pensam diferente. Confundidos com loucos ou pervertidos (e em alguns casos como pessoas de má índole e más intenções), os diferentes são rotulados e afastados do convívio social, por não se adequarem a regras sociais rígidas que obrigam todos a ter um só pensamento.

Isso interfere até na vida afetiva e na vida profissional, situações em que a pessoa necessita de aprovação alheia para obter um benefício necessário ao bem estar. Mulheres tem preferência por homens de gostos e hábitos convencionais porque lhes dá mais segurança: dá para prever o que um homem de personalidade padronizada é capaz de fazer. Quanto a emprego, a mesma coisa. Convencionais garantem confiança, por agirem exatamente conforme a sociedade espera deles, mesmo nos erros que são capazes de cometer (erros previsíveis).

E assim, numa sociedade que não aceita as diferenças, como a brasileira, quem optar por ter uma personalidade própria, normalmente é condenado a solidão, ou na melhor das hipóteses a uma vida social limitada, com um número mínimo de amigos e de oportunidades. Mais um sinal de que a sociedade brasileira ainda não é madura, altruísta e muito menos democrática, obrigando todos a se robotizarem para garantir o seu tão disputado lugar ao sol.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O Funk que não é funk e que vale a pena



Esse é o grupo de rock dos anos 70 Grand Funk Railroad. A única coisa em comum com os funqueiros de meia-tigela é que eles também usam o nome de "funk", mas sem tocar funk.

Mas esse tem realmente qualidade musical. Até merece receber o título de Movimento Cultural.

domingo, 27 de agosto de 2017

Há algo de errado no "Novo Feminismo"

Acho necessário e extremamente louvável o fato das mulheres lutarem pelos seus direitos. O machismo é de fato uma ideologia cruel e já era mais do que tempo dele ter sumido da face da Terra. Mas temos que observar os erros cometidos pelas novas feministas o que pode estar favorecendo a sobrevida dos ideais machistas.

O que eu noto no feminismo atual é que ele se torna cada vez menos racional e cada vez mais hipersexualizado. Ele acabou se adaptando aos tempos atuais de franco retrocesso, em que a intelectualidade é vista como um estorvo e existe um incentivo à satisfação dos instintos (catarse). O feminismo intelectual de tempos remotos se tornou "chato" e substituído pelo pragmatismo do suposto direito das mulheres "fazerem o que quiserem", incluindo se hipersexualizar.

Esta nova imagem do feminismo, menos racional e mais festivo tem agradado a uma geração indisposta a pensar e empenhada em festejar. Tem o seu lado positivo de atrair um maior número de adeptos, mas tem a desvantagem forte de enfraquecer o movimento tirando a sua seriedade. Afinal não dá para levar a sério uma reivindicação que venha com seios pelados mostrados sem motivo.

Outra coisa: por mais que as feministas "modernas" neguem, a nova faceta do movimento é francamente misândrica. Uma funqueira, claramente avessa a intelectualidade, falou que "era solteira porque era uma feminista e que feminismo não combina com casamento". 

Ah é? Então pergunte a feministas mais racionais porque elas se casaram se são tradicionais intelectuais do feminismo. As maiores feministas do mundo foram e são casadas e tem o apoio total de seus maridos no movimento feminista. Se a funqueira está solteira é porque é uma tremenda de uma chata (e quem quer casar com uma chata?). A tal funqueira usou o feminismo para esconder uma realidade que não a favorece.

Porque a misandria? Porque um feminismo mais misândrico quando dialogado com classes mais humildes, enquanto o feminismo mais culto de Emma Watson rejeita a misandria até mesmo no nome do movimento lançado por ela, He for She (ele por ela), que subentende um feminismo a dois, com os homens apoiando o movimento. Eu mesmo sou um dos apoiadores.

Há razões para que o feminismo para pobres (altamente misândrico) e o feminismo para classes melhor escolarizadas sejam diferentes e aquele policial da Rota que deu uma declaração de que periferia e bairros nobres devem ser policiados de forma diferente deve saber. A pista: deve se impedir nascimento de novos pobres para que haja apenas ricos no planeta, tese-base da ideologia de direita. É bom pensar nisto.

Acho que as feministas atuais deveriam ler mais livros de intelectuais feministas. Festa é bom, sexo é bom. Mas em seus momentos. Exercitar o cérebro faz bem para a saúde e nos prepara para uma compreensão melhor da realidade que nos rodeia. E sem misandria. As feministas precisam do apoio dos homens para que suas reivindicações sejam ouvidas. Quanto mais gente no movimento feminista, melhor para as mulheres. Melhor para todos.